quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

O nosso País

A história do nosso país é a nossa história, a nossa cultura, o nosso carácter, as nossas qualidades e os nossos defeitos….

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

A nossa Gente... A nossa Terra - Cesteiro

Somos os alunos da turma EFA B3 escolar e, no âmbito do 2ºtema de vida,"O Património de Lousada" decidimos entrevistar o Sr.Antonio Peixoto de Magalhães, 81 anos natural de Nespereira, artesão de cestaria. Fomos conhecê-lo melhor e aqui fica a conversa sincera e bem disposta bem como algumas das fotografias e videos ilucidativos do seu trabalho. Entrevista: A NOSSA GENTE… A NOSSA TERRA… À CONVERSA COM O ARTESÃO SR. ANTÓNIO PEIXOTO DE MAGALHÃES No dia 22 de Janeiro, a turma EFA b3 escolar da escola Secundaria/3 de Lousada dirigiu-se a casa do Sr. António Peixoto de Magalhães, 81 anos natural de Nespereira, reconhecido pelo seu talento como cesteiro, arte que exerce desde os 10 anos de idade. Fomos encontrá-lo no seu pequeno “refúgio” onde expõe, com muito amor e orgulho, todas as peças que vai construindo bem como as inúmeras lembranças que provam o contributo e dedicação a esta arte há já, pelo menos, 70 anos. Muitas são as pessoas que o conhecem, muitos os jornais, revistas e livros locais que dele falam e alguns os programas televisivos onde já participou, nomeadamente, o”Praça da Alegria” na RTP1. Fomos conhecê-lo melhor e aqui fica a conversa sincera e animada com que nos brindou.
TURMA EFA- Há quanto tempo se dedica a esta arte?
Sou cesteiro desde os 10 anos. Na altura, andava na escola e gostava de lá andar mas, o meu pai retirou-me da escola com essa idade. Fiz a 3ª classe mas, no exame final, reprovei. Antigamente a vida era dura e, como o meu pai precisava de mim para trabalhar, não tive escolha. Tenho pena de não ter continuado, pelo menos, para poder tirar a carta de condução.
TURMA EFA- É uma arte que já vem de família?
Sim, já vem de meu pai, José Peixoto Magalhães, que seguiu as pisadas do meu avô, Francisco Peixoto de Magalhães. Lembro-me como se fosse hoje: meu avô disse-me um dia – “Se seguires esta arte, um cesto custa tanto (já não me lembro ao certo) e um conserto é tanto”. Hoje em dia, um conserto é muito mais barato! Entrei nesta actividade por obrigação mas, com o tempo, comecei a gostar. De doze irmãos, só eu é que continuei esta arte. Aprendi cedo e depois, com imaginação, fui fazendo o resto. Inventei peças que nunca vi fazer na casa do meu pai.
TURMA EFA- Quais as peças/objectos que faz e quais os que lhe dão mais gosto fazer?
Faço cestas e cestos de vários tamanhos, cestas de vindimas, açafates, canastras, canados para decoração, cestos da terra (utilizados há muitos anos atrás para o transporte de terra, na lavoura) que agora são utilizados para colocar a lenha junto à lareira, abanadores, baús, garrafinhas, garrafas e garrafões de todos os tamanhos e feitios… O que me dá mais gosto fazer são as cestas da vindima, os açafates, que antigamente serviam para levar as merendas para o campo e as canastras. Cheguei a transportar doze canastras numa bicicleta e percorrer quilómetros com elas, para as distribuir, segundo as encomendas.
TURMA EFA- Quais os materiais que costuma trabalhar e quais são os seus preferidos? Porquê?
Trabalho com vários materiais: o vime, o carvalho, o salgueiro, a cerejeira, a madeira da Austrália e a cana-da-índia. O que gosto mais de trabalhar é o vime, porque é mais macio e maleável. A cana-da-índia é o material mais duro e difícil de trabalhar.
TURMA EFA- Que quantidade de objectos consegue fazer por dia?
Depende. Se tiver de preparar o material, é preciso separar a madeira, rachá-la e desfiá-la. Aí, consigo fazer um cesto. Se o material já estiver todo pronto faço 3 ou 4 cestos por dia.
TURMA EFA- Consegue fazer desta actividade a sua única fonte de rendimento?
Desde os 10 anos sempre fui cesteiro e sempre consegui viver desta profissão. Quando era mais novo, fiz alguns biscates, mas a minha principal fonte de rendimento, até agora, foi esta. Até há quinze, vinte anos atrás, esta actividade era rentável. Agora já nem tanto. As pessoas já não compram. Desde que apareceu o plástico, esta arte perdeu muito e cada vez mais. Cheguei a trabalhar dia e noite para conseguir satisfazer as encomendas. Agora não, trabalho por gosto, para mim.
TURMA EFA- Costuma participar em feiras ou exposições de artesanato?
Comecei a participar nas Feiras de artesanato há 19 anos atrás, quando se realizou a primeira feira aqui em Lousada. De lá a esta parte faço as feiras de Lousada, Paredes, Sobrosa e Nespereira. Não faço mais porque não me dão o transporte nem o local para expor os meus artigos e, como já não se vende muito, não dá para ir para longe, pagar as dormidas, a comida e o espaço para a venda dos produtos.
TURMA EFA- O que acha desses eventos?
Gosto de participar nestas feiras porque é uma forma de divulgar o que faço e de fazer com que as pessoas não se esqueçam das tradições do nosso país. Enquanto viver, gosto de mostrar às pessoas o que faço. O problema é que agora as pessoas já não compram. Eu, como sou muito conhecido, ainda vou tendo algumas encomendas, mas é só para os apaixonados, para quem gosta mesmo disto. Há pessoas que ainda fazem quilómetros para me comprarem ou encomendarem peças, mas já são poucos.
TURMA EFA - Já ensinou a sua arte a alguém?
É uma profissão muito presa e pouco lucrativa e ninguém quer aprender esta arte. Dos nove filhos que tenho julgo que só um poderá dar continuidade à arte e, mesmo assim, é só quando se reformar. Tenho pena que isto acabe... Sei que vai acabar um dia, porque cada vez as pessoas se interessam menos mas, gostava que as pessoas vissem este trabalho futuramente.
TURMA EFA- Gostaria de deixar alguma sugestão ou algum testemunho relacionado com a sua actividade?
O que eu mais queria era que aparecesse alguém que quisesse aprender, nem que fosse nas horas vagas. Já procurei muita gente, rapazes novos para aprenderem comigo, mas ninguém está interessado. É uma arte muito trabalhosa e que já dá pouco lucro. Se não se fizer nada, se não houver mais ajudas e mais publicidade, tem os dias contados. TURMA EFA B3 escolar


segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Bem-vindos!!

Somos da turma EFA B3 escolar e criamos este espaço para divulgar alguns dos projectos que vamos realizando ao longo do ano.

Visita-nos e descobre o que vamos fazendo por cà...A tua curiosidade é a prova viva de que o nosso "árduo suor" vale apena!